25 janeiro 2013

Educação, meio ambiente e medo de animais são as maiores preocupações das crianças

Foi o que revelou a pesquisa divulgada pelo ChildFund Brasil sobre sonhos e preocupações de mais de 6 mil crianças de 47 países 



No final de 2012, foi divulgado o resultado da 3ª edição da pesquisa anual Small Voice Big Dreams – Pequenas vozes, Grandes sonhos, realizada pelo ChildFund Alliance. Foram pesquisadas 6.200 crianças (de 10 a 12 anos) de 47 países em que o ChildFund atua. O objetivo principal do estudo é ouvir das crianças de todo o mundo quais são as maiores preocupações delas.

A pesquisa mostra que que crianças de 10 a 12 anos da África, Ásia e Américas se importam muito com a escolaridade, tem altas aspirações para o seu futuro e já enfrentaram desastres naturais como inundações, secas ou incêndios.

As 6.200 crianças pesquisadas responderam seis perguntas, incluindo, "Se você fosse presidente ou líder de seu país, o que você faria para melhorar a vida das crianças em seu país?" Um em cada dois (50%) dos entrevistados dos países em desenvolvimento disse que melhorariam a educação ou ofereceria maiores oportunidades de geração de renda. Outros 22% supririam necessidades básicas como alimentos, roupas e moradia, esta última foi a resposta mais citada entre crianças de países desenvolvidos (25%).
 
Coerente com sua ênfase na educação, a maioria das crianças nos países em desenvolvimento, quando perguntado o que eles queriam ser quando crescessem, responderam profissões que exigem uma educação universitária, como médico (27%) e professor (24%). 

Pela primeira vez, o estudo incluiu questões relacionadas ao meio ambiente. Foi constatado que pelo menos uma em cada três crianças de países em desenvolvimento já teve alguma experiência com secas (40%), inundações (33%) ou queimadas (30%). A maior preocupação ecológica não foi um desastre natural, mas a crescente ameaça de poluição no meio ambiente. Um em cada quatro entrevistados (26%) citou diversas formas de poluição como o "problema ambiental que mais as preocupam". Paralelamente, uma em cada três crianças (33%) nos países desenvolvidos destacou a poluição como sua maior preocupação ambiental.

Quando perguntados o que fariam para mudar o ambiente em torno da comunidade onde moram, 28% das crianças de países em desenvolvimento disseram que é necessário plantar árvores e construir mais parques. Um número semelhante (29%) das crianças dos países desenvolvidos, disse que a principal prioridade seria reduzir ou parar de jogar lixo em lugares impróprios.

'Pequenas Vozes, Grandes Sonhos’ no Brasil revela preocupação com meio ambiente e medo de ameaças familiares

Os dados do Brasil foram representados por 103 participantes (entre 10 e 12 anos de idade) de 15 organizações sociais parceiras do ChildFund Brasil nos estados de Minas Gerais, Ceará e Pernambuco. Foram 57% de meninas e 43% de meninos. Quando perguntadas sobre o que elas fariam para melhorar a vida das crianças de seu país, se fossem presidentes, a maioria das crianças consultadas, 54%, também responderam que investiriam na educação e proporcionariam oportunidades de geração de renda; 36% proveriam necessidades básicas como alimentação, vestuário e moradia; 20% investiriam na diminuição da desigualdade e na criação de mais postos de trabalho; 19% ofereceriam mais diversão e entretenimento, esportes e recreação; 9% melhorariam a saúde; 7% mudariam as políticas sociais, 4% fortaleceriam a infraestrutura para melhorar o transporte e, apenas 2% responderam que melhorariam a segurança. 

Assim como as crianças de outros países em desenvolvimento, a maioria (23%) dos brasileirinhos também respondeu que desejam ser médicos/enfermeiros ou dentistas quando crescerem, seguida da profissão de professor (16%). Quanto ao problema ambiental que mais as preocupam, assim como as demais crianças do mundo, 37% das crianças brasileiras estão preocupadas com a poluição, 23% com o desmatamento, 12% tem preocupação com a poluição das águas, 5% com saneamento, 3% se preocupam com as alterações climáticas e o aquecimento global, 1% com a destruição em massa ou o fim do mundo.

Sobre desastres que já vivenciaram: 50% das crianças brasileiras entrevistadas enfrentam a seca, 38% enfrentaram ondas de calor, 23% já vivenciaram inundações, 6% enfrentaram queimadas, 2% desmoronamento e 27% disseram nunca terem passado por algum tipo de desastre natural. Sobre o que fariam para mudar o ambiente em torno da comunidade em que vivem, 30% de nossos pequenos eliminariam ou diminuiriam o lixo, mesma atitude de crianças de países desenvolvidos. Outros 21% dos brasileiros melhorariam a infraestrutura, 17% plantariam mais árvores e construiriam mais parques, 6% eliminariam ou diminuiria a poluição em geral, outros 6% investiriam na educação ambiental, 3% fariam mais leis ambientais, também 3% trabalhariam para evitar os incêndios florestais e apenas 1% respondeu que investiria no transporte público para diminuir a circulação de carros.

Uma das jovens entrevistadas foi Tainara Silva Melo, de 11 anos, que mora na vila São João, do município de Moreilândia, no estado de Pernambuco. “As pessoas gastam muita água e, às vezes, cortam os tubos, que levam a água para as casas, para desviá-los para outros lugares. Eu os impediria de fazer isso. Gostaria de fazer também com que parasse de cortar as árvores e jogar lixo nas ruas, porque o lixo deve ser colocado na lata de lixo. Eu gostaria que todos estivessem cientes e respeitassem o meio ambiente”, defendeu Tainara.

Outro dado revelado pela pesquisa é que o maior medo das crianças brasileiras, além do medo de animais, resposta da maioria das crianças do mundo, está relacionado às ameaças familiares (25%). De acordo com o Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil, desenvolvido anualmente pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos - Cebela, os números de vítimas de violência domésticas revelam uma realidade preocupante: cerca de 40 mil crianças e adolescentes foram atendidos em 2011, pelo Sistema Único de Saúde - SUS, vítimas de violência doméstica, sexual e/ou outras. Dois de cada três casos tiveram a própria residência como local do ato, sendo o agressor alguém muito próximo. Dos atendimentos realizados, pouco mais de 40% foram por violência física (faixa etária de 1 a 19 anos de idade), 20% por sexual (de 5 a 14 anos de idade), 17% registraram violência moral e psicológica e em 16% dos casos a negligencia e o abandono foi o motivo do atendimento (forte concentração na faixa de 1 a 4 anos de idade).

O Diretor Nacional do ChildFund Brasil, Gerson Pacheco, ressaltou a importância em se ouvir as crianças: “Precisamos ouvir sempre nossas crianças para direcionar os projetos sociais das diferentes regiões do país em que atuamos. A pesquisa nos permite entender o que a criança pensa com relação à comunidade em que vive, revela seus desejos e anseios. No Brasil, assim como em outros países, o destaque foi a preocupação dos pequenos com o meio ambiente e a educação. Porém, o medo das ameaças familiares, registrados em 25% das respostas das crianças brasileiras nos chamou a atenção. Trata-se de um mal silencioso que atinge milhares de lares, mas que buscamos minimizar por meio dos programas que o ChildFund Brasil desenvolve em mais de 800 comunidades no país”, ressaltou Gerson Pacheco. 

A pesquisa Small Voices Big Dreams – Pequenas vozes, grandes sonhos foi realizada pelo ChildFund Alliance de junho a agosto de 2012. O ChildFund Brasil é filiado ao ChildFund International que compõe a rede de organizações do ChildFund Alliance, presente em 56 países e que atua em prol da superação da pobreza infantil no mundo. A pesquisa foi realizada em 47 países e incluiu 36 países em desenvolvimento na África, Ásia e Américas, bem como 11 países desenvolvidos. Um total de 6.204 crianças foram entrevistadas, sendo que 3.665 crianças são de países em desenvolvimento e 2.539 crianças em nações desenvolvidas. Cinco das seis perguntas eram abertas e uma fechada. Todas as respostas traduzidas foram fornecidas a GfK Roper, uma das maiores empresas de pesquisa do mundo. 

Informações completas sobre a pesquisa no site: http://www.childfund.org/dreams2012/
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